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Astrologia e Patriarcado



O que é o patriarcado?

 

O patriarcado é um sistema social de dominação masculina, baseado na inferioridade, subordinação, mercantilização e exploração das mulheres. A religião, o governo, as leis, instituições de ensino e família são estruturas que permitem a continuidade e manutenção da organização patriarcal.

 

O que é a astrologia?

 

Astrologia é o estudo das relações entre as ações do céu e seu espelhamento na terra. É uma área do conhecimento que se baseia nos ciclos dos planetas, do sol, da lua e da natureza como um todo, tendo uma relação íntima e indissociável com a Agricultura. Também é um campo de estudo que facilitou e permitiu que a humanidade, através da observação do céu, conseguisse se orientar, se planejar e se organizar.

 

Qual é a relação da Astrologia com o Patriarcado?

 

Não existe, necessariamente, uma relação direta entre Astrologia e Patriarcado, em termos de causa e/ou origens. O que podemos afirmar é que a elaboração do pensamento astrológico se consolida, ao mesmo tempo em que o patriarcado também se consolida, datando de cerca de 5 mil anos.

Seja na Mesopotâmia, Egito ou Grécia, a astrologia, enquanto saber organizado sistematicamente vai servir, principalmente, aos reis. E o astrólogo, nesse contexto, trabalha para um governo de caráter religioso.

 

A astrologia é patriarcal?

 

Se considerarmos que o avanço da sistematização do conhecimento astrológico ocorre em sociedades patriarcais, de governo religioso, concentrado nas mãos de um rei e de que há pouquíssima participação das mulheres em todo esse processo: sim.

 Porém, é imprescindível não reduzirmos todo o pensamento astrológico a partir desse ponto. É importante ter cuidado em não confundir também os fundamentos astrológicos com questões de gênero.

Infelizmente é muito comum encontrarmos textos que afirmem que Vênus ter exílio em Áries é um sintoma patriarcal, porque Áries é um signo masculino e porque esse posicionamento marcial de Vênus, que revelaria maior atitude e iniciativa, significa esperar que as mulheres sejam donzelas passivas, nas questões do amor.

Esse é o tipo de afirmação que, ao tentar fazer uma defesa do lugar das mulheres na astrologia, incorre em uma série de equívocos e ignorância:

 

01)  Ignora como foi distribuído e atribuído os domicílios entre os luminares. Do mesmo modo, ignora que todo exílio vem de uma relação de oposição ao domicílio.

 

02)  Ignora que a Vênus tem domicílio também no signo de Libra que é um signo masculino. Logo, se a relação de exílio é de oposição, é o signo de Áries que trará debilidade à Vênus. Do mesmo modo, Escorpião é um signo feminino e debilidade de Vênus, pois se opõe a Touro.

 

03)  Ignora que masculino e feminino não é igual a homem e mulher. Esses são atributos qualitativos, não de gênero. Tanto até que há quem use outras nomenclaturas, como ativo e receptivo, a fim de diminuir a confusão.

 

04)  Ignora, por sua vez, que Marte tem domicílio em Escorpião, um signo feminino, e exaltação em Capricórnio, outro signo de qualidade feminina.

 

 

Existem muitos elementos a serem pensados na constituição do saber astrológico e como isso tem relação com o patriarcado, todavia, precisamos tecer as críticas, de acordo com os fundamentos astrológicos postulados. Para isso é preciso estudar. Estudar de verdade. Precisamos estudar as concepções que guiam as regências, as exaltações, as triplicidades, as previsões, as interpretações. Precisamos estudar também que deusas e mulheres míticas foram apagadas do céu noturno, no lugar de inventar de forma compulsória uma série de outras que muitas vezes carecem de sentido.

 

Precisamos ter atenção. Hoje em dia é muito comercializável a ideia do protagonismo feminino de forma vazia. Fujam dessa astrologia barata que finge estar reinventando a roda, porque se propõe, sem fundamento e critérios rigorosos, a colocar as mulheres no centro e se vender como feminista.

 

Convido vocês a acompanharem aqui uma série de textos, que estou gestando há um tempo, chamada “Mulheres do Céu Noturno”. O objetivo é resgatar mulheres e deusas que realmente eram retratadas no céu, mas que foram apagadas dos grandes almanaques astrológicos. Quero igualmente propor que a gente trate de dúvidas e falsas concepções a respeito desse tema.

 
 
 

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